De Braços Abertos









Há alguns anos atrás meus pais me disseram para fazer um curso de modelo, naquela época eles acreditavam tanto em mim que investiam tudo que tinham e não tinham para que um dia algo desse certo em minha vida. Topei, mesmo contra minha vontade, mas fui encarar mais essa etapa. Minha autoestima, como todos já estão careca de saber, andava rastejando e fui parar logo em um lugar onde a "beleza" é alma do negócio. No primeiro dia a aula foi de fotografia e eu bem sem jeito tive que fazer algumas poses na frente de vários alunos, me lembro de tremer muito a ponto de não conseguir saber que pose tava fazendo e na minha cabeça só pensava em sair correndo dali.

Ao longo do tempo, fiz amizades e fui me soltando mais. Moda em si nunca foi meu forte, nunca busquei tendências e todos esses scripts de quem gosta de moda faz mas lá no fundo sentia que o interesse por modelar crescia dentro de mim. Desfilei algumas vezes, tirei fotos em estúdios mas sempre que tinha a oportunidade de me sabotar e fugir das oportunidades, era o primeiro a correr. Vi amiga indo para fora do país para modelar e fui ficando para trás, até que em um dia qualquer fomos avisados de uma seleção que uma agência de São Paulo viria fazer aqui na cidade. Fui indicado com mais muitas pessoas a concorrer as poucas vagas e obviamente sem esperança nenhuma encarei a bronca. Depois de tantas etapas o resultado: fui selecionado para entrar ao casting da agência. A minha família vibrou junto comigo e mesmo sem acreditar no que estava acontecendo fiquei bem feliz.

Os dias passaram e a agência, que informou que entraria em contato para marcar as fotos do book, não se manifestou mais. A agonia foi tomando conta e meus pais ficaram totalmente decepcionados pois fomos vítimas de um golpe. Eu que já não acreditava em mim, imagina como fiquei. Anos depois, seguindo a vida e com um ponto final nessa etapa da minha vida, me deparei fotografando exatamente da forma como penso e vejo a "moda". Só que agora sentindo a crença verdadeira em mim, pois o que faço refletindo no que penso. Prefiro pensar em estilo do que moda, não imagino em seguir tendências mesmo que uma hora ou outra estejamos nela. Penso na liberdade de vestir e ser o que der na telha sem regras. Estilo é atitude, está mais voltado para personalidade e vivências.

Tive a oportunidade de ouvir de algumas pessoas palavras de encorajamento, elogios das minhas fotos (pois tenho um fotógrafo sensacional caminhando comigo) e que tenho potencial para investir mais nisso, me fizeram repensar em tudo isso aqui. Se hoje estou fazendo isso novamente e me encho de prazer é por que existe sentimento no que faço. É pela satisfação pessoal, pelos bons sentimentos que isso traz e por ver que existem, ainda, pessoas que acreditam em mim, que me incentivam a continuar e a andar ao meu lado pra me ver crescer. É pra você que assim como eu, todos os dias buscam um sentido na vida, se dispondo a se conhecer e abrir mão dessas prezas que a gente mesmo criou. Tirei o dia para pensar nisso e foi graças ao vídeo do Padre Fábio que estou escrevendo tudo isso. Não existe dinheiro que pague a felicidade e prazer de fazer o que realmente gostamos e acreditamos. É clichê mas é continua sendo a verdade absoluta.


Fluorescent Adolescent











Toda vez que tenho uma ocasião onde preciso usar roupa social minha cabeça já fica em alerta, penso logo em algo que não fique tão formal mas sempre acabo no tradicional camisa, calça, blazer e só acrescento um All Star pra não deixar tão fake e que eu possa me sentir melhor, mas um coturno no lugar do sapato e uma camiseta no lugar da camisa só podia ser a melhor invenção para me sentir preparado para qualquer formalidade que vier. Sério, to tão empolgado com essa ideia! Ah, se a camiseta for de uma banda massa vai ficar melhor ainda, tipo essa da Terror Shop CG.


Sunset


É sempre bom tirar um tempo de tudo, ficar quieto admirando os detalhes que passam despercebidos no dia a dia, ver a vida passar devagarinho e discretamente pois quando a percebo, voa.

T-Shirt The xx - Terror Shop
Cinto - Vintage
Calça - Renner
Coturno - Vilela Boots


Cheguei aos 28

Estava ansioso para que chegasse o dia, as reflexões que tanto lutei para que não acontecessem estão aqui comigo novamente. Cara amiga, suas visitas são sempre turbulentas mas te agradeço, sem elas não seria metade do fui.

Hora de relembrar as poucas novas que um ano me reservou, o momento de abrir a caixa das relíquias que deposito tantos sentimentos e que me cobrou tanta força agora me exige coragem. Consciente de tudo que posso vir a sentir, o peso é dobrado e a prova de resistência começava ali.

A primeira lembrança de cara foi a perda, as tantas que me aconteceram que até eu já não me encontrava. Meu eixo já não era nem o meu centro e nem o que me movia, eu precisava encontrar algo que fosse maior do que tudo isso e me fizesse percorrer almejando algo maior. No fim, entendi que a perda é um buraco na alma incapaz de ser fechado e pronto.

A segunda foi a solidão, esta que me acompanha desde meu primeiro suspiro. A que me fez a vida toda buscar por qualquer coisa que me completasse ou que fizesse me ver de outra forma. Agora, somos um só. Ela e eu. Decidi conhecê-la, desbravar seus mistérios para enfim perceber que ela não é tão má e que dali saem coisas maravilhosas. Nos tornamos amigos e cada dia nos conhecemos mais e mais.

Houveram as terceiras, quartas, quintas... Que por horas me tiraram a atenção e algumas lágrimas. Rever quem era, quem fui e não se reconhecer. Poder agradecer as mudanças e a quem trazem elas todos os dias. Reconhecer os méritos que a vida nos dá e permite que cada dia seja uma nova história de um novo ser que renasce.

Aos medos que criei e que deixei, agradeço. De nada seria se não tivessem a mim. Os que me fizeram conhecer até onde posso chegar.

E que seja tudo diferente sempre, pois assim serei força a enfrentar o que vier.


Sunday Morning





Camisa - Colombo
Calça - Renner
Cinto - Vintage

Tenho cada vez mais aumentado meu arsenal de roupas pretas e eliminando as cores do guarda-roupas. Não sei se a cores indicam o estado emocional mas se for o preto tem me feito muito bem, me fez lembrar da minha adolescência onde não tinha peças com cores, somente preto. Agora retorno onde jamais deveria ter saído. Cores neutras tem me ganhado e se eu fosse dizer a paleta de cor que me define nos dias atuais, sem sombras de dúvida são: Preto, Branco e Cinza.