Diário #3: Fora de mim a vista é bem mais bonita

- Você não é tão bonzinho assim!

- É, eu sei.

E nesse momento o chão se abriu e um grande buraco negro me abduziu e não sei se consigo sair. Na verdade eu sei sim, vou conseguir. A pergunta é: quando. O não sei como resposta para quase tudo é apenas uma forma de refúgio para não sair da realidade que eu mesmo inventei. Me fiz acreditar por longos vinte e poucos anos ser a vítima da vida, o ser inofensivo e ingênuo, que seria aceito como todos os outros.

O problema naquela época era que as pessoas se destoavam de mim, não conseguia encontrar alguém que tivesse algo semelhante e por isso sofria ao tentar me adaptar. As realidades eram completamente diferentes da minha e a única solução que, eu mesmo encontrei, foi tentar ser o mais próximo possível. E agora, começo a perceber que fui engolido por essa dimensão infinita que eu jamais imaginei que seria capaz de criar, e como era bonita a vista lá de fora.

Agora eu estou aqui sem saber para onde ir, em frente a vários caminhos mas todos entrelaçados e não faço a menor ideia de onde me levarão, mas espera, eu escolhi esse encontro comigo. Servi a entrada, o prato principal e a sobremesa, mas minha vontade é de simplesmente virar as costa e ir embora.

É assim que eu fiz todo esse tempo.

Uma mente confusa é capaz de pensar bilhões de coisas e realizar metade delas. Ah, mas se vocês soubessem o quão difícil é estar onde estou, criariam um manual da vida para não sentir um terço do peso que carrego. Preciso mudar isso e sei que não será uma tarefa fácil e eu espero ser uma das últimas vezes que escrevo um texto como vítima pois dentro de mim, a vista também é bonita.


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