Um medo chamado solidão

Fotografia: Renan Lima
Desde pequeno eu já sabia qual era o meu maior medo, gostava de observar tudo a minha volta e sempre me perguntava: como seria viver sem tudo isso? Só de imaginar que poderia perder tudo que considero valioso, o pânico já tomava conta de mim.

Não escolhemos a vida, a nossa maior decisão não é tomada por nós e sim por quem nos coloca no mundo. Temos que ser gratos a essa oportunidade, eu vim para aproveitar cada minuto vivendo aqui, deve ser por isso que presto tanta atenção nos detalhes. Os momentos, independente de qual for, devem ser únicos e aproveitados da melhor maneira possível. Eles não voltarão mais.

Sempre fui de poucas amizades e poucos laços, não sei lidar com grandes quantidades. Prefiro qualidade. Dava o meu máximo para estar perto de quem eu gosto, fazia tudo que podia para manter todos perto de mim, muitas das vezes me deixava de lado para isso acontecer. Sei que não sou uma pessoa fácil de lidar, não gosto de lugares cheios, não acho graça em piadas, memes e afins.. falo alto, não tenho assunto para prolongar uma conversa e isso cria um abismo enorme em minhas relações.

A imagem que eu tenho na cabeça é de ser um cara estranho, fora do convencional sabe. Desenvolvi isso desde quando as coisas aconteciam comigo e com os outros não. Minhas mãos são enormes, meus dedos são finos, meu rosto é magro e cumprido, tenho ginecomastia, minhas pernas são tortas e minhas orelhas me fizeram ser chamado de Dumbo (apelido que eu aprendi a gostar) por muito tempo. Tudo isso me fez ser quem sou hoje.

Tente imaginar como seria se tivesse no meu lugar.

Quando me perguntam qual é meu maior medo, digo que não sei mas lá no fundo minha vontade é dizer a verdade. Ficar sozinho na vida sempre foi e sempre será meu maior medo. Embora as minhas escolhas sempre me levam a me afastar de tudo e me manter sozinho, persisto nesse medo esperando que um dia alguém virá estender a mão e dizer que desse medo não sofrerei mais.

Obviamente sei que isso só acontece em contos de livros e da disney mas para confortar o coração a gente desenvolve ilusões. Em todo esse tempo eu tinha uma certeza, a única pessoa que não me abandonaria jamais seria eu mesmo, a minha única companhia capaz de ir comigo onde eu fosse. Uma relação sem abismos onde eu podia ser de qualquer jeito.

Hoje tenho feito outras escolhas, quero ser alguém diferente disso. Por mais que eu me sinta sozinho em meio a multidão, quero ter oportunidades. Já entendi que os medos vão me acompanhar para o resto da vida mas eu devo escolher a proporção que terá em mim. Afinal, só sobrevive quem escolhe viver. Mesmo que seja a sós.

Só.


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